Revista Agulha


 

   

Últimas pistas //*



"
..¡Oh mis fantasmas! Oh mis queridos espectros
La noche ha dejado noche en mis cabellos..."

Vicente Huidobro
 

   

Náufrago desperto em números
Detido no jogo do vento
Em suas artérias de presságios

Ossos de um mesmo e exposto cadáver
Longe canta a eternidade sua desprezada justiça
Canções de trevas
Relâmpagos ridentes


Náufrago iluminado pelo contágio
Contando lágrimas sob a língua
Longe longe a pretensa história de seus mortos
Quem por terra cai ali se esvai
Em súbito monumento de chamas
Ardiam os dias sepulcros à deriva
Horror delicado das súplicas
Paisagem com seus planos de histeria
Um lampejo de traumas
Arrastam-se os lábios por toda a fala
Tenebrosa estrela
És o equívoco silencioso



Náufrago à borda de teu miserável destino
Tempo contemplado em despojos
Por onde o fogo a desfolhar-se começa?
Como o abismo reconhecer gotejando suas aves?
Pondo as coisas para andar
Para cantar a selva sua paciente tragédia
Fantasmas a cada passo
Absoluto absurdo
Para cantar as formas que são a vertigem do tempo
A intimidade disforme de tudo quanto sonhas


Náufrago desfeito em um sistema de perdas
Quantas refletem tua queda?
Qual a irreparável vocação?
Será tua a vez de assumir o desastre
Das formas perderem a fala
Do espaço evadir-se de si




Quem és?
Oh náufrago com o homem às costas
Como eletrificastes as circunstâncias?
Visionários guias
Rumores cristalizados
Destinos em série
De que se ri a imóvel paisagem?
Foram-se os outros todos náufragos
Um precioso talho de árvores em fuga
Caos contra o infortúnio
nima contestada
Formas resumidas a um breve bosque de catástrofes
Que vida prolonga o poema?
Que célebre demência ancora na esfera fulminada?


Para mudar tua vida o canto
Nominar o silêncio o verbo o esquecimento
Riscar os fósforos de todos os domicílios da beleza
Uma última onda até morrer o sentido
Linguagem arenosa
Monastério da dúvida



Comporta-se o náufrago como um farol caído
A tudo vê passar sem utilidade alguma
Escombros da própria agonia
Interminável a conta das lágrimas seus estudos de silêncio
Terra insolente sobre os prodígios de sua queda
Fronteira onde não floresce uma ave uma luz vulgar uma voz
Náufrago o náufrago de si mesmo
Soberbo ataúde
Nenhuma treva lhe cai tão bem
Recordará um dia sua fortuna recusando-se ao enterro


Caminhos os temos em silêncio aos berros
Vozes recuperam-se de crimes da cortina de delitos do alimento de lamentos da convulsão de sons
São como ases
Um poema repleto de vozes
Um templo contra a morte
Ávida beleza infernal de aves corroendo o céu com seus véus
Naufrague a pedra o homem a árvore
Ali onde sabemos a eternidade magnético equívoco
Místico pavor quando tudo pode esperar
Não há um triunfo da forma
As honras são todas da dor


Náufrago o náufrago caído em números
Perfeito o veneno sobre seu dorso abandonado
Quem o toque em naufrágio iguala-se
Lúbricas as transfigurações do ser
O monumento do náufrago a si mesmo
Uma história de angústias em rostos desfigurados
Ali soam suas vértebras a seiva a solidez
Sombras que se urdem acumuladas em gozo
Ressurgem o mito as vozes migratórias a árvore que canta
Dá-se que tudo é naufrágio
- trema um sentido decaia uma dor retire-se um abismo
O corpo detido em destino
Despedaçado em sombras
Náufrago de que lei?
Febre de areias sobre seu dorso
Imagens circulares refazendo-se sob o sol
Sobre a morte interroga-se
É sua língua desmedida
Deserto é afeto desfeito o ermo do medo da solidão

Aproxima-se de si o náufrago
Sem mais temer sua fábula
Dá-se a cicatrizar a memória

O rio do náufrago o sal sem pressa o sonho o barco desvirado a imagem sangrenta delirante agulha o infinito a montanha o mar a pesca de anseios o engulho de algas a dor do céu a rosa molhada os lábios comidos de areia o milagre do esquecimento



Não há tempo a perder no náufrago
Gramática é a sua do rumor desperto em êxtase
Loucura a linguagem recriar-se soberba ambígua
Incalculável farol nos lábios do náufrago
Dorso de sal
Inclemência do verbo
Alegoria do ser
Parábola do verso sobre a agonia humana
Areia areia areia
Diante do próprio naufrágio o náufrago mal consegue respirar suas aves.


editores
floriano martins (floriano@secrel.com.br)
cláudio willer (cjwiller@uol.com.br)
 
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